Sacramento da Reconciliação

Sexta-feira | Ig. Matriz
  18h30 - 19h30

Ex. de Consciência 1  Ex. de Consciência 2
(Quem desejar confessar-se fora dos horários estabelecidos deve articular com o pároco, pois está sempre disponível)

Intenções do Papa

Maio

A IGREJA EM ÁFRICA, FERMENTO DE UNIDADE (Pela Evangelização)

Para que, através do empenho dos próprios membros, a Igreja em África seja fermento de unidade entre os povos, sinal de esperança para este continente.

 

Dum Contrato de Prazo do ano 1717 respigamos a seguinte passagem:
"Leira de mato no outeiro de S. Gens, confrontando de nascente com terras de moradores do lugar de Cidai e de Poente com terras de moradores do lugar de Alvarelhos".

Este Contrato de Prazo refere claramente a existência do monte de S. Gens já no ano de 1717. Este facto vem confirmar a informação oral que sempre circulou em Cidai proveniente dos nossos antepassados de que no cimo do monte houvera, em tempos idos, um nicho com a imagem do santo. Daí o nome de monte de S. Gens de Cidai.

No Jornal quinzenário "O Trofense" de 6 de Abril de 1930 o saudoso Abade Sousa Maia, descendente da Casa do Monte de Lantemil, referindo-se ao monte de S. Gens de Cidai, escrevia:

"Houve ali, em tempos idos, uma ermida em que foi venerada a imagem do santo mártir que, tendo procurado divertir Diocleciano e os que lhe faziam corte, com paródias ao Sacramento do Baptismo, foi tocado miraculosamente pela graça de forma que, do próprio palco em que representava comédias, fez teatro do seu zelo cristão, verdadeiramente convertido, passando do paganismo à Fé em Jesus Cristo, por quem logo derramou o próprio sangue."

Pois foi assim que o Professor Doutor Padre Sebastião Cruz, natural da aldeia de Cidai, sentiu a necessidade de não deixar morrer definitivamente um culto que ele ia ouvindo falar pela tradição oral de nossos antepassados, mas que cada vez mais se ia diluindo no tempo.

Apoiado na descrição do Arqueólogo e Historiador Bouga dense Abade Sousa Maia, quis trazer para a ribalta da crença Bougadense o culto de S. Gens.

E foi em 1948 que as suas ideias ganharam força tal que foi capaz de "arrasar" montanhas e construir no cimo do monte de S. Gens de Cidai uma capela para dar guarida condigna a uma imagem do Santo que outrora aí tivera "residência". A ideia era reconhecidamente grandiosa, embora repleta de dificuldades e escolhos. Mas o Dr. Sebastião Cruz possuidor dum dinamismo demolidor nunca se deixou derrotar nem pelas dificuldades criadas pela natureza da obra e muito menos pelos obstáculos criados pelos homens.

A capela fez-se. Os acessos foram abertos e em 23 de Setembro de 1951 toda a obra foi inaugurada para honra e glória de S. Gens. Isto só foi possível devido à acção generosa, ideia lista e dedicada desse intrépido Bougadense chamado Sebastião Cruz.

No dia da inauguração da Capela houve um almoço no cimo do monte para as autoridades e convidados. A ementa constava do seguinte:

Um caldinho - Um arrozinho - Uma caminha - Vinhinho da terra - Frutinha da terra - Coisas doces e apetitosas - Café Português - E Bagaceira da terra.

Nas costas da ementa podia ler-se:

Andam cânticos no ar

Todo o dia e noite fora:

- Voltou S. Gens à Capela

E não torna a ir embora!

E no cimo do monte de S. Gens de Cidai lá permanece S. Gens a velar por todo este povoado adjacente, agora Concelho da Trofa. Com o seu olhar ternurento, S. Gens é o nosso protector junto de Deus lembrando-Lhe que este povo trabalhador tem os seus símbolos como referência e um deles é o Dr. Sebastião Cruz por tudo aquilo que fez por todos aqueles que lhe haverão de suceder.

O Doutor Sebastião, herói do nosso tempo, Deixou-nos em Dezembro 1966. Partiu e com ele um desgosto enorme que o assoberbou após a Revolução de Abril de 1974. Por essa altura houve quem quisesse destruir a obra de S. Gens, certamente não como resultado duma revolta ateísta, mas seguramente como acto de represália por obra tão grandiosa para servir um povo e uma crença. Diremos até que foi certamente uma atitude de desrespeito para com aquele que, só, fora capaz de fazer aquilo que muitos não conseguiram noutros sítios.

Esta desfeita ele nunca esqueceu. Acompanhou-o até à sepultura e da vida eterna, estou seguro, desafiará outros a seguirem-lhe as pisadas. Este era o seu único desejo de vingança.

O Doutor Sebastião não deixou a sua obra completa. Agora a comissão de S. Gens tem vindo a introduzir-lhe melhoramentos que ele certamente terá subscrito em vida, mas há um que foi sempre o seu sonho e que não chegou a realizar. Era sua vontade construir no alto do monte de S. Gens de Cidai uma casa de repouso para intelectuais. Este sonho não sabemos se seria realizável até pelos recursos humanos que poderiam vir a faltar para usufruir dessa benesse.  

Hoje os tempos são outros e os intelectuais podem gozar o privilégio do silêncio, da serenidade e da atmosfera inspiradora do local e rapidamente deslocarem-se até suas casas. S. Gens de Cidai é o local dos silêncios inspiradores da reflexão e da meditação. E ali, aos pés, o fervilhão da civilização citadina tão perto no olhar e tão longe no ruído e no “stress” civilizacional que tanto apoquenta o homem.

S. Gens de Cidai é o simbolo da capacidade do homem Trofense que quando o querer e o crer se conjugam é capaz de arrasar montanhas.

Esta é a imagem inspiradora para os futuros feitos das novas gerações Trofenses.

S. Gens de Cidai guardará sempre a imagem do seu criador com a estima e consideração proporcional a beleza do local. O povo devoto que ali acorre lembrar-se-á sempre do grande benfeitor e obreiro daquele local sagrado e das orações depositadas aos pés da Senhora d'Alegria e de S. Gens permanecerão sempre pétalas perfumadas pelo sacrifício de tantos romeiros penitentes que dali do alto se sentem mais atraídos por Deus.

Esta obra deve ser, gerações e gerações, para engrandecimento de Deus e monumento de paz e concórdia entre os homens. E o novo Concelho da Trofa que não esqueça de enquadrar este local no roteiro turístico a criar.

Em 8 de Dezembro de 1998, a actual Comissão de S. Gens homenageou a figura notável do Professor Doutor Sebastião Cruz descerrando um busto do homenagado, ali mesmo ao lado da capela de S. Gens de Cidai. E certo - e justo - que o grande dinamizador da obra de S. Gens de Cidai ficou perpetuado no lugar que foi a sua menina dos olhos. Está pensativo no busto olhando para o mar longínquo como que procurando no ocaso a alegria que, mesmo nas horas difíceis, era capaz de expressar. E não resistimos a transcrever uma das quadras do "Hino de S. Gens":

As tristezas que a vida consomem

Este monte subindo trazemos;

O S. Gens p'ra de vós recebermos

A alegria que dais e queremos.

 Pois é esta alegria que falta na expressão do busto e que faltou na homenagem póstuma a este ilustre Bougadense. Mas o povo porque dele saíste, Dr. Sebastião Cruz, saberá sempre reconhecer-te como um dos símbolos do século XX nesta nossa terra. Pela alegria que transmitias, pela força de vontade que expressavas e pela fé que exprimias, podes crer que deixaste um vazio difícil de preencher.

Pelo que fizeste e nos legaste, aí onde estiveres, Dr. Sebastião Cruz, as nossas homenagens sempre.

Fonte:RODRIGUES, Alcino - Subsídios para a História da Trofa. Trofa : Sólivros de Portugal, [s.d.]. 170 - 192 p. ISBN 972-693-012X.

 

Capela da Senhora da Alegria e S. Gens e a continuação da "Obra de S. Gens"

Esta “Obra de S. Gens” iniciads nos anos 50 pelo Professor Dr. Sebastião Cruz, veio depois a ser continuada de modo especial pelo Padre Armindo da Silva Gomes (pároco de Santiago de Bougado até Janeiro de 2013). Além da sua ampliação, fizeram-se grandes obras no espaço envolvente, único na nossa paróquia e arredores.
A “Casa da Montanha” foi ampliada, construindo-se um salão para reuniões e convívio. Fez-se também um escadório ladeado de cruzeiros de granito, correspondentes à Via-Sacra. Colocou-se uma grande imagem de pedra da Nossa Senhora da Alegria em local imponente e arranjou-se de forma soberba todo o espaço envolvente. Arborização e jardins foram também a preocupação constante ao longo dos anos. Mais recentemente foi adquirido o edifício contíguo à “Casa da Montanha” onde ainda funciona um restaurante com uma paisagem soberba sobre Bougado.

 

 

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